quinta-feira, 19 de maio de 2011

TERÇAS A LER - TEATRO A BARRACA (LISBOA) - ENTRADA LIVRE




































Nas primeiras e segundas terças-feiras de cada mês, às 19h, durante menos de 90 minutos, o Teatro A Barraca dinamiza a Leitura em Lisboa, num itinerário que reune muitos e bons autores portugueses contemporâneos, em sessões gratuitas. Destacámos do programa as ofertas de Maio e Junho:
MAIO

 3 de Maio. Cartas de Cesariny e Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes - Correspondência

10 de Maio. Carlos Mota d’Oliveira O Poeta ao Sul (com presença do poeta) - Poesia

17 de Maio. Seara de Vento - Ficção, Manuel da Fonseca

24 de Maio. O Homem que se Arranjou - Teatro, Ramada Curto 
JUNHO

 7 de Junho. Adolfo Casais Monteiro - Correspondência familiar

14 de Junho. O Feminino em Pessoa – com a particip. de João D’Ávila - Poesia

21 de Junho. O Senhor Ventura - Ficção, Miguel Torga

28 de Junho. Gladiadores - Teatro, Alfredo Cortez

Dia Mundial da Poesia na nossa Biblioteca

Publicamos hoje os trabalhos enviados para o CONCURSO supracitado. Em breve divulgaremos os 3 primeiros classificados.


E é assim, por natureza,
Nesta longa noite de Outubro,
Em que a chuva fustiga os vidros
E o vento dilacera o meu rosto,
Que o passado me sussurra aos ouvidos.

Oh, quão tolo eu sou,
Quão humanamente minha alma sofre,
Quantos erros cometi,
E cometo e voltarei a cometer,
E porquê? Tudo por ti.

Quantos foram os olhares,
Quantos foram os sorrisos,
Quantas foram as glórias,
E agora, simplesmente,
Quantas são as memórias

Foram muitas as esperanças,
Um simples abraço,
Os bateres de coração,
Um simples gesto, uma palavra,
E para quê? Tudo em vão.

O ontem ainda permanece,
Aqui tão próximo de mim
Ainda sinto, ainda sei,
Tu nunca te esquecerás,
Quer por amor, quer por desdém, ou lei.

O quanto eu esperei, ansiosamente,
E o quanto eu vivi, verdadeiramente,
O quanto eu sorri, espontaneamente,
O quanto eu chorei, secretamente,
E o quanto eu esqueci, falsamente.

Ainda assim, lá continuas tu,
Tão longe, tão perto, realmente,
Num espelho falso e desfeito,
Numa memória fria e vaga,
Mas estás lá, na vida em seu leito.

E o quão burro fui ao agir sem pensar
Ontem, hoje, amanhã e sempre…
Porque cá estou eu, mortal,
E aí permaneces tu, como sempre,
Trivial, ausente e banal.

E neste compasso de mentiras,
Numa melodia que engana,
Num ritmo falso de balada,
Eu iludo-me, oh, quão ingénuo!
Quão grande foi a tua facada.
Senti… fui uma criança tola
E também tu o eras, como eu,
Perdendo nossa infância e alegria,
Tal felicidade, tal amizade
E para quê? Oh, que monotonia!

E eu, simples e inconscientemente
Me deixo seduzir pela mentira,
De novo, novamente,
Porque oh, sabe tão bem,
Tão real, tão contente!

Mas ainda assim, e é assim,
Nesta longa noite de Outubro,
Em que a chuva fustiga os vidros,
E o vento dilacera o meu rosto
Que o passado me sussurra aos ouvidos.

E tu surges na minha mente
E eu me lembro de ti.

Anónimo


Caminhei sozinho pela província,
Pequena terra de aldeões
Meninas lindas de outrora
São fatais beldades, agora,
De Castelos e Castelões

Daquilo que vi apenas sei
Que até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pela cidade
Pessoas inundam a urbanidade
Com o charme de um Channel
Contrasta a puta de um bordel
Qual a chave do meu coração?

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pela avenida
Virei na esquina de uma ruela
Canais interligados de mistério
Em cada beco o adultério
Ao longe sinto o perfume dela

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pelo abismo
Momentos tristes de solidão
A falta que me fazias
Em mortais e enublados dias
Em cruéis choros do coração

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pela estrada,
Deserto, atípico, no meio do nada
Mulheres e mais mulheres que passam
Ninguém me interessa, façam o que façam
Apenas te procuro, nas asas de uma fada

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pelo campo
Sol, calor que ilumina um verde assim
De esperança se fez a minha vida
O cheiro das flores minha guarida

Teu aroma que sinto perto de mim

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho sobre o mar
Elemento natural da tranquilidade
Ondas que abanam o dia-a-dia
Espelho que reflectiu quem eu seria
Jamais me mostrou tua verdade

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho sobre o fogo
Que o poeta diz arder sem se ver
Simples humano é quem o desmentir
Nem poderia, insistes em fugir
E eu passo pelo inferno para te ter

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho na floresta
Neblina crua e gritante
Medos fatídicos de solidão
Não por outras, pelo coração
De um só amor tal e qual Dante

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pelo ar,
Frio, gélido que a alma congela
Brisas refrescantes de amor
Conservam em mim o teu calor
Diz-me pai, onde andará ela?
Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pela terra
Tu vagueias no meu pensamento
Força divina de um tormento
Saber que existes e eu te invento
Aos olhos do amor não tem fundamento

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pelo mundo
Sentimentos vários percorri
Quatro cantos explorei
Não sei de nada… Só por ti sei
O sentido que tudo tem contigo aqui

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pelas estrelas
Num manto escuro, vi-te passar
Rápida tal qual a flecha
Sedutora, como uma gueixa
Irradiando o brilho do teu olhar

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pela galáxia
Em planetas vi o teu rosto
Outros “seres” sem igual
Mas nenhum ar angelical
Que tédio, que desgosto!

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho pelo Céu
O Purgatório percorri por ti
Anjos disseram-me ao ouvido
A que procuras, Romeu querido
É Julieta e não está aqui


Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho até ao Inferno
Desci nove degraus de pecados
Em busca de ti, essência do meu ser
Enfrentei o próprio Lúcifer
Obtive a resposta dos mal-amados

Daquilo que vi apenas sei
Até agora nada encontrei

Caminhei sozinho por aí
Num lado qualquer
Vi-te ao longe e sorri
Tu sorriste e vieste a mim
Eras tu a tal mulher

Tantos locais percorridos
Tanta força de vontade
Não foi a pressa que me valeu
Esperança, essa permaneceu
De encontrar a cara-metade

Porque todos temos uma
E tu és minha, tenho certeza
É o amor que sinto nos momentos
Que revelam os sentimentos
Cativos a essa tal beleza

Agora que te encontrei
Só contigo tudo perdura
Começou uma nova vida
Terminou minha procura.

Daquilo que vi apenas sei
És o amor que finalmente encontrei.

Fábio Machuqueiro
Sentimento que permanece

É difícil admitir,
Que dia após dia,
Te continuo a sentir,
Quero apagar-te,
Mas não dá,
Quero em ti não mais pensar,
Mas estás sempre cá e lá…
Porque será?
Muitas perguntas tenho para te fazer,
Mas por palavras,
Não sei bem o que dizer,
Foste sempre a pessoa,
Que me conseguiu entender,
Oxalá pudesse eu saber expressar,
Aquilo que para mim continuas a ser,
Quando olho para ti,
Não é só beleza que vejo,
Mas sim,
A miúda que desejo,
Aquela que me aquece,
E que dia e noite
Perto de mim sempre apetece,
Por isso permanece

Deixa -me sentir o teu calor,
Levemente,
Chamar-te “meu amor”,
Mesmo que não correspondas,
Deixa-me sentir este calor
Com um beijo na face
E muito, mesmo muito AMOR!

Carlos Semedo
Ode Triunfal, à maneira de Álvaro de Campos



Ó cidades poluídas, governo corrupto, mentalidade capitalista e individualista
Pudera eu mudar o Mundo e veriam como o transformaria.
Findavam as injustiças, as listas de espera e a podridão social que por aí se alastra
Dá náuseas este país assim parado e sem nada evoluir
Lá fora, tudo se cria, tudo nasce, tudo acontece
Aqui, pelo contrário, tudo se perde, tudo morre, nada se renova.
Há que abrir as portas, bem abertas, ao desenvolvimento, à evolução, à transfiguração, que é disso que este país precisa!
E no fundo, é o que todos nós ansiamos e procuramos
Ser inovadores, descobridores, criadores e revolucionários…
Escavar um buraco e lá enterrar todos os males desta sociedade.

É na saúde, é na educação, é na cultura e na política
A crise alastrou aos mais diversos domínios
E os que com ela sofrem? Ah, esses são sempre os mesmos!
O povo, os pequenos, que sem nenhuma culpa, arrecada as consequências mais dolorosas, das acções desta minoria corrupta e deteriorada, corrompida e estragada
A que chamam de Governo!
Que a esses, que ricos nascem e ricos permanecem, a crise não afecta
Nem nunca vai incomodar, porque a escassez e a carência de estruturas, de capital, de mecanismos, de instituições, de empregos e serviços…
Fica reservada para aqueles que lhe têm direito.

É justo? Há justiça? Igualdade? Só para uma minoria. A minoria que por ela pode pagar.
O que fizeram à beleza e eficácia do Direito, da Justiça e da Segurança?
À paz social, à harmonia, à igualdade e à honestidade?
Andam por aí perdidas, camufladas, esquecidas…
E é isto, é por isto que temos que lutar, que revolucionar e com muita força desejar
Uma sociedade verdadeiramente democrática, onde todos possamos viver e desfrutar do que este maravilhoso Mundo nos oferece e propicia.

Eu acredito. Adormeço a acreditar e de igual maneira todas as manhãs acordo
Mas ai, tristeza frustrante que por vezes esmaga estes meus desejos e vontades…
Pudera eu ser uma máquina perfeita, com um motor refulgente
A mais alta tecnologia para pôr este país a funcionar!
Ana
DEDICATÓRIA

Lembro-me de ti


Olhos que não escondem percursos de vida
Cabelos brancos, rugas sábias,
Mãos calejadas,
Pele sulcada pelo Sol

Lembro-me de ti
Orgulho-me de ti
Penso em ti…

Todos te conheciam,
Todos te estimavam,
Tinha-los todos no teu coração
Mas eu era a privilegiada

Lembro-me de ti
Sentada no teu cadeirão
Pacata e serena
Bela e frágil
A contar-me histórias de outros tempos,
De outros lugares

Agora só quero que saibas
Que me ensinaste bem
Que me amaste bem, que me protegeste bem
E por tudo o que ainda nos une
Deixo-te estes versos que a minha alma contém

Natália Freitas