domingo, 24 de maio de 2009

UM LIVRO DA NOSSA BIBLIOTECA

(…)
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
quem dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado
(…)
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
Para Angola nos porões
(…)

Ary dos Santos, neste poema, não só retrata o país que tínhamos como, também, a guerra colonial que se travava, facto indissociável do próprio Estado Novo.
E faz-nos pensar. Leva-nos a pensar quão importante foi ter existido um “25 de Abril” que permitiu a reconquista da liberdade, da igualdade jurídica, do direito à educação, do direito a uma vida digna, de um lugar na comunidade internacional, de podermos decidir do nosso DESTINO e fazermos ouvir o nosso QUERER! De permitirmos que outros, como nós, LIVRES fossem.
Ary dos Santos, neste poema, disse-o. Convictamente. E o ritmo das suas palavras são o ritmo da revolta e o som da luta. Que se avizinhava. No dia 25 de Abril de 1974.

SANTOS, Ary dos.(1999) Obra Poética. Edições Avante.Lisboa.

Profª Maria Nazaré Oliveira

quinta-feira, 7 de maio de 2009

UM LIVRO DA NOSSA BIBLIOTECA

A nossa Biblioteca adquiriu sete pequenos livros, cada um com DVD, sobre o tema PORTUGAL, UM RETRATO SOCIAL, da autoria de António Barreto e Joana Pontes, editados pelo jornal PÚBLICO/RTP.
Como o autor refere, o que se mostra nesta obra é o retrato da sociedade portuguesa dos últimos 30 ou 40 anos, “um retrato de grupo: dos portugueses e dos estrangeiros que vivem connosco”
A título de exemplo, vejamos o livro 04 – uma sociedade plural: muito interessante a característica multicultural do nosso país, desde sempre mas, particularmente a partir dos anos 70, conforme é referido.
Portugal reforça a sua pluralidade e convivialidade com o outro, característica intrínseca e historicamente marcada desde o início do nosso encontro ancestral com diferentes etnias e diferentes religiões, particularmente a partir do século XV e reforçada, mais tarde com a vertente colonialista do Estado Novo, acentuada pela emigração e, depois, pela nossa integração na UE – União Europeia.
António Barreto diz, a propósito, “que o Estado português fez a nação portuguesa”.
Ora fazendo a assimilação ora fazendo, também, a expulsão (árabes, judeus, etc.), Portugal reforça, deste modo, a homogeneidade. “Os diferentes grupos étnicos foram-se fundindo com o tempo (…) foram-se esbatendo e assimilando. À diversidade de origem foi-se impondo essa homogeneidade de Estado, de nacionalidade, de cultura”.
O texto daqueles autores prima sempre pela clara contextualização histórica, acentuando a perspectiva sociológica.
Um exemplo disso é a referência às comunidades de estrangeiros que residem actualmente no nosso país: a maior é a dos brasileiros, seguida da dos ucranianos e depois os cabo-verdianos.
“Ao contrário do que se passava até aos anos 60, hoje, em Portugal (…) ouve-se falar todas as línguas (…)” em todo o lado.
Portugal está diferente. Ainda bem. E é bom que essa diferença seja sempre vista como uma mais valia para o progresso e o desenvolvimento do nosso país pois, sem pluralismo não há democracia.
E a democracia também se conquista (ou se perde).

Maria Nazaré Oliveira

quinta-feira, 23 de abril de 2009

25 DE ABRIL NA NOSSA ESCOLA

Para comemorarmos o 25 de Abril na nossa escola, a Biblioteca foi inspirar-se num dos belíssimos trabalhos que fazem parte de Uma Carta Coreográfica (Território Artes - Ministério da Cultura), concretamente, o trabalho 49 – Gilbert Garcin: Le dessous des choses, apresentado em cartaz.

Num painel à entrada da escola foi colocado aquele cartaz e, motivados, igualmente, pela pergunta QUE MUDOU O 25 DE ABRIL?, os alunos foram convidados a participar e a reflectir, sendo a sua resposta colocada nesse mesmo espaço, de forma a que todos possam lê-la, dando-se conta das diferentes perspectivas críticas sobre aquele acontecimento histórico.

Aparece! Participa!

Brevemente publicaremos algumas dessas intervenções.

domingo, 29 de março de 2009

UM LIVRO DA NOSSA BIBLIOTECA

A Biblioteca foi sempre, para mim, um local mágico! Um mundo sempre à minha espera, colorido, tranquilo, enigmático, surpreendente, que exploro com a alegria e a vontade de saber como se fosse a primeira vez! Sempre uma descoberta! E o prazer de a fazer!
Procuro livros, autores, temas, gravuras, mapas, ideias, críticas, gentes, lugares, histórias, vidas, o sonho, o ontem, o hoje... procuro o ser e o sentir, procuro o olhar, toco, sou tocada, sorrio...aprendo.
Parto para um encontro, que em encontros se revela, e perco-me nas estantes sustidas pelo tempo.
Pelo tempo da História e pela História dos Tempos.
Um livro, dois livros, este e aquele pormenor, uma opinião, uma crítica histórica ou literária, uma crónica do século XV, um testemunho da Segunda Guerra Mundial, um quadro de Kandinsky, ou de Monet, ou uma catedral gótica, ou uma iluminura medieval, um artigo de imprensa, um soneto de Camões, versos de Guerra Junqueiro, fotografias da África colonial… Cartografia…Biologia…Literatura inglesa, francesa… A sedução da procura de conhecimento animada pelo gosto em saber!
Tanta coisa! Tão fácil! Tão perto de mim!
Por exemplo: numa antiga revista portuguesa – Revista dos Lyceus - , 2º ano, 1892/93, encontrei um curiosíssimo apontamento sobre a importância do estudo de litteratura, página 342, no qual se cita Cícero, Lefranc, entre outros.
O primeiro diz que as Boas lettras dão-nos alento na adolescência, suavisam a vida na velhice, e adornam a existência nas prosperidades; são-nos allivio e consolação nas adversidades; recreiam-nos em casa; pernoitam comnosco; acompanham-nos em viagem, e assistem-nos em o campo (…); o segundo, Lefranc, refere que a Litteratura ennobrece e pule o espírito, orna a memoria e aperfeiçoa o gosto; forma o coração; desenvolve as faculdades intellectuaes, e se torna para o homem fonte dos mais doces prazeres. Presta auxílio ás sciencias abstratas e philosophicas, e ás verdades mais sensíveis; e o philosopho e o sábio, se quizerem ser bem sucedidos, devem ser ao mesmo tempo homens de Lettras (…).
Faz-nos bem, digo eu!

Maria Nazaré Oliveira

Concurso Ler+



Dia 27 de Março decorreu na Biblioteca Municipal de Alcochete a 2ª prova do concurso Ler+.
Da 1ª prova, realizada no 1º período na nossa escola, foram apurados a Ecatarina Ursu, o Fábio Silva e o João Safara, alunos do 8ºano, que agora aqui tão bem nos representaram.
As obras seleccionadas pelo Júri da Fase Distrital foram O Mundo em que Vivi de Ilse Losa e Em Nome do Amor de Meg Rosoff.